PALAVRAS SOBREVIVENTES
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José,zé, Antonio, Zé. Talvez o sentir seja o umbigo aconchegante de todo o plasma sufocante deste mar de acasos. A necessidade se solve com a sutileza do perigo aconchegante. Sigilo se faz por si neste sobreviver de suspiro de movimento, de carinho e de sensação. Representado pela palavra. A palavra sobrevivente... Icq:153127397 zeabrcast@yahoo.com.br

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Sexta-feira, Outubro 24, 2008



Dizia todo dia pra nunca me meter em confusão mas sempre lembrava do que a minha mãe falava sobre ser feliz e buscar o elo perdido com dignidade.
Não tinha razão não, eu fiz tudo por carência e carinho mesmo. Eu assumo o fardo. Tinha visto televisão e ouvido Neil Young, já tinha feito coisas em mim irreversíveis, como pode ser toda uma infância. Por mais que você receba amor ou não, são coisas irreversíveis e sem fim.
As suas mãos tremiam suadas. Por que ao mesmo tempo sabia que tinha feito algo de errado, mas não tinha volta e ao mesmo tempo sabia que era impossível não fazer. Por que a gente passa a infância e adolescência brincando de sonhar com tudo, com qualquer coisa. Mas chega a hora que a gente percebe que todos aqueles sonhos eram sérios. Aí fudeu. Pois não era mera masturbação, era amor e sonho. Que acordou sem respirar e com medo das consequencias.
Caminho sem volta rapá, se vira.
De manhã as coisas sempre pioram, porque a realidade não foi embora. A versão do sonho era real e não a realidade era mero desejo. Pensava em fumar como nunca, pois nada acontecia de interessante além da dor de ontem à noite. Ações mudam o mundo, mas quando não acontece nada o que a gente faz?
Gritamos sempre por ação, ação, ação... mas a realidade é que nada acontece. Clamamos por realidade, mas o que acontece de fato é que a realidade é um imenso e vasto terreno de fatos irreversíveis e estáticos. Pois a realidade é lenta e crua. Forte e emocionante como queremos, mas lenta e dura como odiamos. Tédio, como nunca deveríamos ter sentido, pois é pecado. Seja na igreja, na festa, na boate, na escola ou numa reunião de amigos. Queremos a luta de classes, pois a realidade é impossível. Como um sonho ruim e chato. Sonho ruim. E quando está assim pensamos em outras coisas mais emocionantes, pois assim deve ser a realidade: objetiva e concreta.





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