PALAVRAS SOBREVIVENTES
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José,zé, Antonio, Zé. Talvez o sentir seja o umbigo aconchegante de todo o plasma sufocante deste mar de acasos. A necessidade se solve com a sutileza do perigo aconchegante. Sigilo se faz por si neste sobreviver de suspiro de movimento, de carinho e de sensação. Representado pela palavra. A palavra sobrevivente... Icq:153127397 zeabrcast@yahoo.com.br

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Quarta-feira, Dezembro 20, 2006


Meu filho
não tenha medo, pois Deus está distante e eu estou aqui pra dizer que tudo mais está também.
Mas quem irá te proteger? Essa é uma pergunta desconsertante. Não tenha medo, pois sempre vou estar aqui. Em todo lugar que precisar de mim. Quantas atrocidades você viu hoje? Não se preocupe, pois elas estão aí. Elas estão aí para te acompanhar, para te fortalecer, mesmo que alguma hora você se engane demais como um idiota. Elas são o que são. As maiores barbaridades da existência. Não se desespere, não se sinta sozinho. Pois elas são sua única companhia.



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Sábado, Dezembro 09, 2006


Engraxate

Não tinha muita noção pra qual público que olhava, ou a quem o via. Não sabia. Será que era bom saber? Era tempo de gangsta, grafite, pelo menos em sua imaginação. Mas o importante era seu ponto alto. Aprendeu a brincar de ponto alto num filme de hollywood. Qual a melhor coisa do dia? a própria conclusão que se podia parar pra pensar numa coisa muito foda, o ponto alto. Repetia frases de amigos e ídolos em sua cabeça, pra não esquecer ou se manter na reta. Outro dia a professora disse sobre Durkheim, que a forma perfeita de vida é a melancolia e isso era defendido. Talvez se a melancolia fosse defendida o rock'n'roll dominaria o mundo e não haveria mais polícia, será? Só queria dizer a sua opinião. Deixa pra lá, pois melancólicos não jogam pedras em vidraças. Uma vez percebeu que só queria amor e mais nada.
Mas o que era amor? Essa porcaria que nossos pais nos dão?
Mamãe dizia que amava todo mundo, e muitas prostitutas do "Barbarellas 7" também. Coisa linda, que a gente encontra todo dia. Estado natural das coisas. Nenhuma novidade.
O amor era impossível de existir, mais fácil pensar assim. Mata todo mundo logo! Assim como Deus fez o milagre da bomba atômica. Assim fez na sua escola, na sua casa e no seu bairro.
Não.
Ele era covarde, será? Seus amigos o chamavam assim... Aí aproveitavam e sentavam a porrada. Já o chamaram de sensível, mas às vezes achava que era covarde. Não revidava, pois achava melhor assim. Era uma dor muito grande, não era hora pra tanto caso.
Deus fez tudo assim. Não tinha tempo porque era dia de jogo no Maraca...
As coisas eram complexas porque se fossem simples seriam muito piores.
Viver dói, mas aí a gente prossegue como se fosse um terreno baldio ou texto chato para ler. Ele não tinha muita coisa pra dizer, mas um gritinho meio de viado era urgente. Aqueles que quem visse ia lhe dar uma surra e mandar virar homem. Um lugar perfeito para isso era no sexo ou em um terreno abandonado.
Parecia que a atmosfera ia cair, ele forjava situações para o público manter a atenção. Não perdia a pose, tentava, mas aos poucos pedia uma redenção, uma coisa mais frouxa. Que o público gargalhe, mas consciente e sensibilizado de cada coisa do mundo. Ele queria acreditar que cada coisa do mundo merecia ser abraçada.
Mas as coisas do mundo não se abraçam e nem tem sentido. E vinha a ausência.
Coisa que parecia aqueles velhos horrorosos que tomam uísque. Mas qual a imagem perfeita?
Qual a posição perfeita?
Não tinha violinos, e a musica fica chata sem eles. Era a musica da vez, o hit underground. Seria maravilhoso se as pessoas gostassem de suas musicas mesmo se elas não fossem boas... Não por ele, mas pela musica.
Mas não era assim, a musica precisava ser boa e ele tinha que aceitar isso. Pois ninguém tinha culpa de nada... ele tinha que aceitar isso.
Era a proteção, a poesia, mas ela nunca estava ali. A poesia era perfeita e precisava ser amada de verdade. Mas ela doía, era melhor apagar da memória. Existia, mas não estava em escritas, e quando estava ficava uma merda. Era melhor destruir... pois a poesia não se pode botar em um pedaço de papel. O maior crime é a escrita. Mas que droga, tanto esforço pra aprender a ler...
Não fazia muito sentido no esforço, mentiram para ele. Foi dar um mergulho numa pedra de crack, se despediu do público que não faz poesia só por que ela causa dor.





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